A vida pede socorro em nossas estradas: Parte II

Em janeiro 2010 divulguei aqui no blog um post falando sobre o atropelamento de animais silvestres em nossas rodovias. Infelizmente nada mudou e este assunto parece não ter mais fim. Ontem (10/10/2010) viajando pela BR-262 entre os municípios de Aquidauana-MS e Campo Grande-MS encontramos um lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) atropelado.

Como sabemos trata-se de uma espécie ameaçada de extinção e mesmo para aqueles que vivem no campo, avistar um indivíduo desta espécie é um privilégio. Fica mesmo difícil entender como uma rodovia tão importante como a BR-262 que, aqui no Mato Grosso do Sul corta uma área considerada prioritária para a conservação da biodiversidade, não apresente nenhuma adaptação para facilitar o deslocamento dos animais silvestres.

E o pior de tudo é que estes eventos são muito comuns, envolvendo também outras espécies ameaçadas de extinção como tamanduá-bandeira e até mesmo exemplares de onça-pintada. Uma vez tive a oportunidade de conversar com um engenheiro agrícola suíço que estava a trabalho no Pantanal, e o mesmo me falou sobre como a Suíça resolveu parte do problema do atropelamento de animais silvestres. Ao longo das rodovias, foram colocados nas árvores pequenos refletores luminosos que ao refletir a luz dos veículos faz com que os animais se afastem da estrada.

Nem vamos falar sobre os túneis e também cercas de contenção que foram implantados com sucesso aqui mesmo no Brasil em outras rodovias, porém pensar nesta medida em larga escala, o que seria ideal, não passa de um sonho.

Vamos juntos, protestando e mostrando aos outros o que acontece e quem sabe a gente consegue chamar a atenção de quem precisamos!

Forte abraço e até o nosso próximo post.

Carlos Rodrigo Lehn, Campo Grande/MS. crlehn@gmail.com

segunda 11 outubro 2010 19:38


Uma visita mais que especial......

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Pessoal, vejam como são as coisas! Como já tive a oportunidade de dizer em outro momento aqui no nosso blog, moro em Campo Grande, capital do Mato Grosso do sul, em um Bairro situado a 5 minutos do centro da cidade. A 30 metros do portão de minha casa, fica uma das ruas mais movimentadas da cidade e nas redondezas em todas as direções a única coisa que se vê são casas, prédios, asfalto e mais asfalto.

Pois bem, ao chegar em casa por volta das 19h do dia 08/06/2010 tive a enerome e agradável surpresa de saber que no quintal de minha casa havia uma visitante ilustre, conhecida popularmente por estas bandas como raposinha ou mais precisamente Dusicyon vetulus (hoary fox). Imediatamente pensei em ajudá-la a sair desta selva de pedra e então resolvi ligar para a Patrulha ambiental: aí surgiu o primeiro problema, fazer com que os patrulheiros acreditassem no que eu estava falando. Quando eu disse que tinha uma raposinha no terreno ele me respondeu que gambás são comuns na área urbana e que não havia motivo de preocupação (tóin parte 1). Foi então que me apresentei como biólogo e disse que na verdade estava falando de um "cachorro-do-mato" e não de um gambá, este um marsupial e que muita gente teima em chamar de raposa sei lá eu por que cargas d'água.

Em momento algum temi por minha segurança, pelo contrário minha preocupação era de alguma forma contribuir para que a raposinha fosse retirada desta selva de pedra.

Buenas, foi então que o Patrulheiro anotou meus dados e depois de incontáveis 3 horas apareceu uma viatura. Neste momento a raposinha já havia saído de minha casa e se aventurado pelos vizinhos. Ao conversar com o patrulheiro, este me perguntou onde estava o gambá ? - (tóin parte 2). Foi então que recorri aos recursos de minha máuina fotográfica para mostrá-lo que falava de um CANÍDEO.

Conversa vai, conversa vem, no final das contas nada se resolveu. Eles foram embora e prometeram voltar no dia seguinte. Depois de sentada a poeira, com um sentimento reunindo um mix de alegria e preocupação vejo que a cada dia é possível fortalecer e viver aquilo que chamamos de nossos valores naturais. Campo Grande pode ser considerada uma cidade privilegiada, já que uma volta por suas ruas e cidade pode proporcionar além de araras canindés e vermelhas, encontros com capivaras, quatis e com sorte até tamanduá-bandeira. Me preocupa muito este "despreparo" de nossa polícia ambiental, algo bem diferente do que vimos nos documentários do discovery channel, porém também entendo que eles são também vítimas do descaso de nosso governo com relação à nossa biodiversidade.

Tenho muita curiosidade de saber o que aconteceu com esta raposinha e se pudesse dar um nome a ela, não penso em outro, a não ser, ESPERANÇA.

Forte abraço e até o nosso próximo post......
Carlos Rodrigo Lehn
Campo Grande / MS, 09/06/2010, 21h02.

quarta 09 junho 2010 22:17


Educação Ambiental sobre rodas......

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Durante os dias em que estive na cidade de Coxim/Mato Grosso do sul, famosa no Brasil inteiro como um local de pesca abudante e rios de belezas cênicas, tive a oportunidade de conhecer um Biólogo de verdade, que faz a sua parte e tenta contribuir para um mundo melhor. Zorildo de Souza, graduado pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e que, através das rodas de sua bicicleta, leva a educação ambiental aos "confins" de Mato Grosso do Sul.

 Todos os anos, Zorro, como é conhecido pelos seus amigos, viaja pelo interior do Estado ministrando palestras sobre Aquecimento Global, Meio Ambiente, Efeito Estufa e Sustentabilidade. Sua última aventura foi percorrer cerca de 580 km, desde Coxim até Bonito, pernoitando sempre em barracas. Sempre quando chega a um local, Zorildo logo desperta a curiosidade da população. As palestras são ministradas em praças e igrejas, atraindo a atenção de um grande público.

O que mais chama a atenção é que este projeto idealizado por Zorildo, unindo esporte com Educação Ambiental, é feito com recursos limitados, oriundos em sua maior parte da venda de camisetas que ele mesmo se encarrega de trabalhar a arte e vendê-las. Para muitas destas crianças que assistem a palestra de Zorildo, trata-se da primeira e talvez única oportunidade de ter um contato maior com a Educação Ambiental. A Educação Ambiental foi estabelecida pela 6.938/1981 que trata da Política Nacional do Meio Ambiente, devendo ser abordada em todos os níveis de ensino, em caráter multidisciplinar. Ainda hoje, mesmo passados quase 30 anos da instituição desta lei, estamos longe de termos a Educação Ambiental como uma realidade nas escolas brasileiras, especialmente em se tratando de Educação Pública.

Somente posso expressar neste post, minha admiração pelo trabalho de Zorildo, por realmente contribuir e muito para a conservação do meio ambiente. A próxima aventura de Zorildo já possui trajeto definido, Coxim-MS a Puerto Suarez - Bolívia. Boa Sorte Zorildo e que você possa continuar a disseminar sementes de esperança nos lugares por onde passar.

Carlos Rodrigo Lehn, Coxim,MS - 22 de maior de 2010 - 14h37

sábado 22 maio 2010 15:50


Aspilia grazielae: a asteraceae mais ameaçada do Brasil....

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Durante estas andanças pelo Pantanal, fui apresentado à uma "jóia" da flora brasileira: Aspilia grazielae Santos, representante da família Asteraceae e endêmica da Região do Maciço do Urucum, localizada na região da Borda Oeste do Pantanal, em Mato Grosso do Sul.

Esta espécie ocorre naturalmente em áreas situadas acima dos 700 m de altitude, cobertas por vegetação do tipo Cerrado. Trata-se de um arbusto que pode atingir até 2 metros de altura quando crescendo à sombra da vegetação arbórea. Pois bem, como vocês puderam observar, o título deste nosso posto é muito apelativo, e será que se justifica? - Sim, se justifica e mostrarei à vocês por quê!

O Maciço do Urucum é considerado a terceira maior mina de minério de ferro do mundo, despertando o interesse da maiores empresas mineradoras do Brasil e inclusive, corporações de outros países. As cotas superiores do Maciço do Urucum, possuem sua estratigrafia rica em minério de ferro, justamente nas faixas altitudinais onde  Aspilia ocorre naturalmente.

A extração de minério de ferro ocorre a céu aberto, promovendo além da supressão total da vegetação a subsidência do relevo (rebaixamento do terreno), gerando um impacto praticamente irreversível. Embora a espécie se reproduza bem através da estaquia, quando uma área natural é devastada, não se perde apenas os indivíduos que ali sobrevivem (ou sobreviviam), mas também toda a gama de relações ecológicas que demorou centenas e até milhares de anos para ser estabelecida.

Infelizmente, as minas de minério de ferro do Maciço do Urucum estão em franca expansão e a tendência é que as áreas naturais de ocorrência de Aspilia grazielae "sumam" do mapa em um piscar de olhos, sem que sequer tenhamos tido a oportunidade de entender melhor a biologia e ecologia desta maravilhosa espécie.

Este é apenas um exemplo de total descaso com a nossa biodiversidade e minha grande dúvida é a seguinte: quantos exemplos como este existem Brasil afora e até quando deixaremos que o nosso patrimônio natural se esvaia dessa forma?

Forte abraço e até o nosso próximo post!!!!!

Carlos Rodrigo Lehn
Coxim/MS, 21 de Maio de 2010, 17h44

sexta 21 maio 2010 12:57


A vida pede socorro em nossas estradas........

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Pessoal, neste final de ano tive a oportunidade de rodar aproximadamente 5000 km, passando por rodovias do centro-oeste, sudeste e sul do Brasil. Fiquei extremamente chocado e confesso que um pouco revoltado, com a enorme quantidade de animais silvestres mortos por atropelamento ao longo das estradas. Observei desde espécies mais comuns como Graxains (Lobinhos) - Cerdocyon thous, Ouriço-cacheiro - Coendou villosus, Preás - Cavea aperea, Tamanduá-mirim - Tamandua tetradactyla e até espécies mais raras como Tamandua-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e um cervídeo com dimensões semelhantes ao do veado bororó-do-sul - Mazama nana (Esta identificação prefiro deixar em aberto pois devido ao estado de decomposição prefiro não arriscar com certeza).

Pois bem, o que mais chama a minha atenção é que embora todos os anos milhares e milhares (talvez milhões) de animais silvestres sejam atropelados em nossas rodoviais, nada, extamente NADA, tem sido feito para, ao menos, reduzir o número de atropelamentos. A imensa quantidade de animais que é atropelada todos os anos compremete em muito o potencial genético destas populações e consequentemente a sua sobrevivência. Para que você tenha idéia, em apenas um trecho de 26km da rodovia RS-453, que liga os municípios de Estrela-RS e Garibaldi-RS, observamos 17 ouriços atropelados, o que dá uma incrível média de 0,65 animais atropelados por km de estrada. Se adicionarmos o gavião chimango (Milvago chimango) e o tamanduá-mirim também observados atropelados nesta estrada, a média deste trecho sobe para 0,73 animais/km de rodovia.

Há um certo tempo publiquei em co-autoria com a bióloga Caroline Leuchtenberger, um artigo de mesmo nome deste post, falando sobre o atropelamente de animais silvestres, especialmente na rodovia BR-262 que corta um considerável trecho do Pantanal em Mato Grosso do sul. Neste artigo chamamos a atenção para a necessidade urgente de readaptarmos nossas rodovias, proporcionando aos animais alternativas para que possam transitar em seus hábitats sem que o trânsito coloque suas vidas em risco.

O link para este artigo é o seguinte:

http://www.diarioweb.com.br/vida/edicoes/50/zoom/36.pdf

Forte abraço pessoal e até o nosso próximo post.

Carlos Rodrigo Lehn, Campo Grande 18/01/2010, 20h34.

segunda 18 janeiro 2010 21:29


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